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segunda-feira, setembro 12, 2011

Está faltando “BRASIL” no Miss Universo


Os Estados Brasileiros se apresentam... Já dizia a clássica canção de abertura do Concurso Miss Brasil... Mas será mesmo que os "Estados Brasileiros" se apresentam durante esta disputa "pré-fabricada" para oferecer ao mundo uma "beleza" que historicamente brasileiros e brasileiras vêm tentado recriar para servir aos velhos padrões europeus empoeirados?


Em pleno século XXI, quando já dotados de autonomia e independência nacional, é estranho notar até onde vai a nossa capacidade de renunciarmos às nossas identidades e raízes, para nos sujeitarmos aos padrões instituídos por povos vazios de diversidade. E isso toca diretamente os referenciais e estereótipos de beleza que enaltecemos até hoje.


É difícil admitir como em um Brasil distinguido pela sua miscigenação - onde a região Norte é fortemente marcada pela presença indígena, a região Nordeste lindamente influenciada pela cultura e beleza negra, e onde em todo o país é possível contemplar as mais belas e exóticas misturas -, quando se fala em eleger o que de fato temos de mais belo, nossos traços físicos mais robustos são deixados de lado para ceder espaço às "belezas" sem COR e sem CURVAS.


Ora, é claro que não estou aqui ignorando a beleza Branca; absolutamente. Dentro dos traços que lhes são peculiares, pra mim é inquestionável a beleza que há nas "bem-aventuradas" pelos belos rostos, pelos lindos olhos verdes e pela límpida tez clara. O que é absolutamente questionável, por sua vez, é a ausência de "Brasil" nos últimos concursos Miss Universo. É claro que se considerarmos a ausência de "beleza brasileira" nos concursos Miss Brasil, nada mais natural que as nossas representantes no concurso mundial sejam apenas "mais uma" num emaranhado de belas mulheres, não é? Enfim, nada de novo; nada de diferente.


Pois bem. Sabe que eu acho que a beleza que vemos circulando nas praias do Rio de Janeiro não deve existir mais? Ou no mínimo, Tom Jobim estava enganado, e "moça do corpo dourado" já não faz mais tanto sucesso. O bronzeado proporcionado por nossas praias não fazem mais a diferença no corpo das nossas mulheres, ao que parece. Ele até já deixou até de ser marca da mulher brasileira! Pelo visto, até na Bahia de Caetano, os "caracóis dos seus cabelos" já não têm mais "histórias pra contar". Vejam que nem mesmo a BAHIA, seleiro da beleza afro-brasileira, consegue oferecer uma Miss Negra ao país! É, caros espectadores... Na situação em que estamos, até "mulatinha", "moreninha", ou "meio tom" estava servindo... Mas nem isso a gente consegue produzir...


Mas tudo bem; vamos deixar esse papo pra lá. Já está mais do que claro que "peito" e "bunda" não entram mais na lista dos nossos jurados, e que definitivamente, já era hora de embranquecermos os nossos concursos. Então deixem eu me reduzi r à minha insignificância, "modernizar" os meus velhos e defasados conceitos de beleza, e desligar o meu televisor antes que ele me influencie dar "chapinha nos cabelos" e tentar um "branqueamento artificial"desses aí...


E só pra não dizer que eu não dei meu voto, esse ano minha torcida foi para a China - que não abriu mão dos olhinhos puxados da sua escolhida; para a Colômbia - que mais uma vez trouxe a beleza latina pros palcos, e para Angola, que mostrou para o mundo o quanto a Beleza Negra merece ser reverenciada.


E viva a todos aqueles que entendem a beleza sem abrir mão de sua identidade!


Janaína Muniz

sexta-feira, novembro 12, 2010

Talvez alguns de vocês tenham acompanhado os últimos e-mails e postagens a respeito de nordestinos através da mídia eletrônica. Talvez alguns tenham se divertido com as agressões enquanto outros têm repudiado as últimas práticas racistas, indignas e vergonhosas cometidas por alguns que, equivocadamente se julgam "brasileiros".

Neste contexto, dispensando qualquer comentário, uma resposta que tem circulado na internet, postada pelo Teologo José Barbosa Junio, foi o que de fato enalteceu as discussões, críticas e embates a respeito do assunto. Por isso, faço questão de inteirar-lhes a respeito.

Nada como a paz e o conforto ideológico que este texto me troxe... vejam:


José Barbosa Junior nasceu em Teresópolis-RJ em 29/12/1970.É convertido ao Evangelho desde março de 1987.É estudante de Teologia no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde também reside.É palestrante e pregador, além de músico e letrista.Desde 2004 é escritor e editor do site www.crerepensar.com.br Contatos com José Barbosa Junior:junior@crerepensar.com.br Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo.

Calem a boca, nordestinos! Por José Barbosa Junior  

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória. Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro. Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!". Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros "brasileiros" também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país. E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão! Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste! Que coisas boas vocês têm para oferecer ao resto do país? Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos Augusto dos Anjos, José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz? Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo? Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!! E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano. Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo "carioca" Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura… Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner… E Não poderia deixar de lembrar também de Caetano, Gil, Gal, Maria Betânia, da genial família Caymmi e suas melodias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos… Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo? Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar. Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de "cachorras". Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para "um dia de princesa" (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!! Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade! Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco.

Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa! Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos! Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes. Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte!"

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

quinta-feira, outubro 21, 2010

Pra quem gosta de boa música...

Olá meus amores!

Pra os que gostam de boa música e curtem ouví-las enquanto estão na net, trago um presentaço pra v6!
A Rádio Alfa! 24 horas no ar!
Ideal para ouvidos sedentos de música de qualidade!
Recomendo!

http://azevedomidia.blogspot.com/


Beijos mil!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Olá Navegantes!!

Esta semana vou me permitir postar um texto não-autoral, mas acabei de refletir muito com essa mensagem, e queria mesmo dividi-la com vocês... Pra os que ainda não conhecem, vale m uito a pena ler...

Beijo grande!!


"Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto-imagem.Religião é dieta.Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia.Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo.
Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas... Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.
Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. ' Cuide bem do seu amor, seja ele quem for ' "
(Herbet Vianna)
Compositor


terça-feira, novembro 18, 2008

Mais um "20 de NOVEMBRO"!

Aqui estou eu novamente, só que desta vez, com a difícil missão de falar sobre o dia da Consciência Negra.
Como vocês já devem ter percebido, não costumo escrever meus textos com temas pré-definidos - até mesmo porque, o que eu escrevo é apenas o reflexo daquilo que está em cartaz no teatro da vida. Mas acatando sugestões, desta vez resolvi escrever sobre o “20 de novembro”, e tenho que admitir: as muitas cenas do espetáculo “A ascensão do negro Americano”, merecem de fato, mais algumas linhas no nosso querido blog.
Esta semana estava fazendo meu “tour” semanal na biblioteca da Universidade, quando notei algo em comum entre os periódicos e revistas mais vendidos no país: todos eles traziam o nosso “querido” Barack Obama nas capas, e um conteúdo vasto de informações, imagens, artigos e curiosidades sobre o novo “Presidente do Mundo”.
É interessante como as pessoas no mundo inteiro estão fervilhando diante dos últimos acontecimentos, e é claro, que – não sejamos inocentes, por favor! – o fato de a mídia lançar seus holofotes sobre a figura do Obama é o principal responsável por todo esse “alvoroço” social. Digo isso pois sei que ele não foi o primeiro, nem será o último negro americano a levantar bandeiras sociais; muitos outros houveram antes dele, e muitos inclusive, deram até a própria vida em favor da causa; Martin Luter King e Cynthia Griggs Fleming são um exemplo. Mas você pode se perguntar... "Quem é essa mesmo? Será mais uma ativista social? Pois é, caro leitor, sinto informar, mas a imprensa definitivamente não perderia seu tempo com eles... Eles infelizmente não dão ibope.
Mas ilustrações à parte, pensem comigo: não é de se estranhar que, um dia depois das eleições americanas, eu veja um jovem rapaz ostentando na camisa a imagem do “Presidente do Mundo”, antes mesmo de ele ser empossado? E se eu te contasse que o nobre rapaz não possui nenhuma ascendência, ligação ou vínculo com os Estados Unidos? Pareceria ainda normal se eu revelasse que ele vive em um país repleto de problemas sociais e que por isso precisa de que jovens como ele levantem sua própria bandeira e protestem contra a miserável realidade em que vivemos?
Pois é meus queridos, o jovem ator social desta historinha é nada mesmo que um baiano, nascido em Salvador, mas que como muitos brasileiros está festejando a vitória do... Do que mesmo?
Tudo bem. Estamos comemorando – e eu me incluo neste “bolo”- a quebra de paradigmas, a vitória da competência sobre o preconceito, e naturalmente os primeiros sinais de mudança do caráter de um povo mundialmente conhecido pela segregação racial que dividiu seu país em dois mundos: o mundo dos brancos e o mundo dos negros.
Mas o que acho estranho, é que as comemorações que temos visto vão muito além do que alcançamos até então! É como se abríssemos o chanpange ainda na definição do "grid de largada", antes mesmo da corrida começar!
Não desmereço nem ignoro o significado da vitória de Obama para política mundial, mas penso que não devemos lançar sobre um único indivíduo todos os nossos sonhos, como se estivéssemos diante do gênio da lâmpada!! Comemorar é justo, claro, mas excesso de expectativas tem grandes chances de terminar em frustração.

Mas afinal de contas, o que esse “rebuliço” todo nos diz no dia da consciência negra?
Bem, a mim em particular, diz que o mundo ainda tem jeito, e que os seres humanos são capazes de fazer bom uso a racionalidade que o Criador lhes deu para chegar a conclusões razoáveis sem interpor o preconceito como uma muralha que o impeça de acessar um nível mais elevado de humanidade.
Como dizia o Arnaldo Jabor em sua última coluna, “Obama não venceu por que é negro, mas sim por que é, a princípio, o mais competente”, Isso não é fantástico?! Pois é exatamente disto que precisamos! Não carecemos de piedade, precisamos é de igualdade! Igualdade de direitos, igualdade de condição e sobretudo, igualdade de oportunidades, afinal, não podemos ser indiferentes ao volume de potencial humano que perdemos diariamente para as drogas, para miséria e para criminalidade. Já pararam pra pensar o quão úteis seriam para as forças armadas brasileiras o “exército” de jovens que hoje portam as armas do crime? E os grandes chefes do tráfico, não seriam porventura, importantes armas nos Serviços de Inteligência do país? Pois é... Mas como dizem por aí, estes são apenas “devaneios” de (mais) uma mente que ainda acredita nas pessoas...

terça-feira, setembro 02, 2008

Preciso dividir esta experiencia com vocês!!

Hoje, quando chego ao término de um dos mais lindos projetos que já vivenciei, sinto uma imensa necessidade de compartilhar com vocês a rica experiência de “doar-se” em favor de pessoas que precisam de nossa ajuda. O meu coração muito se alegrou em poder fazer parte de um verdadeiro “exército” composto de quase 700 voluntários que se empenharam no projeto TRANSCHAPADA, um projeto missionário de cunho social, idealizado pela Junta de Missões Nacionais, e que se materializou em 43 cidades da Chapada Diamantina – Bahia -, onde várias equipes de voluntários especializados nas mais diversas áreas acompanharam, durante o mês de julho, as famílias daquela região, oferecendo assistência médica, psicológica, social e, sobretudo espiritual, pois apesar de não dispormos de recursos financeiros, pudemos apresentar para aquelas pessoas aquilo que temos de melhor para oferecer... a Experiência de conhecer a Deus e fazer sua vontade.

A equipe da qual fiz parte, era composta de apenas 10 voluntários, e assim que chegamos a Ibiquera – a cidade para a qual fomos designados -, a receptividade e generosidade da população logo nos chamou à atenção; contudo, ao tempo em que nos envolvíamos com o trabalho, víamos com cada vez mais clareza por detrás dos sorrisos daquelas pessoas, almas profundamente sedentas de Deus. Sim, digo sedentas por que sei que cada ser humano tem seu próprio universo, permeado por medos, insegurança, incerteza e temores e esse vazio que cada um trás consigo só Deus pode preencher... Falo por experiência própria.
Ibiquera apesar de ser um pequeno município - cerca de seis mil habitantes - é uma cidade cujos altos índices de desemprego, a falta de oportunidade e o pouco dinamismo da vida urbana tem sido causadores de graves problemas. Vimos muitos jovens vitimados pela depressão, pais de família mergulhados no alcoolismo, crianças afetadas com gravíssimos transtornos psicológicos, adolescentes se iniciando sexualmente cada vez mais cedo... E um sem número de contrastes que nos assustaram bastante.

Mas foi exatamente neste contexto que vimos os resultados de um trabalho feito com amor. Graças a Deus, tivemos a felicidade de ver pessoas enfermas sendo assistidas por profissionais de saúde, crianças recebendo atendimento odontológico adequado, pais de famílias vitimados pelo alcoolismo abandonando o vício, pessoas oprimidas por transtornos psicológicos sendo libertadas, adolescentes afastados da escola retomando suas atividades escolares, jovens entregues à depressão hoje tendo uma nova razão pra viver... Dentre muitas outras bênçãos que pudemos contemplar.
Para mim em particular, foi indescritível a troca de carinho que vivenciamos com população daquela cidade. As crianças, por exemplo, todas as manhãs se assentavam logo cedo à porta da casa onde estivemos hospedados, para nos presentear com flores do campo e com os seus sorrisos, que sem sombra de dúvidas, nos impulsionou a trabalhar com ainda mais dedicação pelo resgate daquelas pequenas vidas que certamente serão grandes homens e mulheres.

E sabem o que concluo de tudo isso? Que não há nada melhor do que sairmos do nosso mundinho medíocre da superficialidade, e conhecermos mais de perto as mazelas provocadas pela desigualdade social. Ao contrário do que nós vivenciamos no nosso dia-dia, o analfabetismo, o desemprego e a fome, são feridas no seio da saciedade brasileira que ainda não foram fechadas. Por isso, entendo que nós, que fazemos parte de uma elite social - pelo menos no tocante às oportunidades que recebemos – não podemos ficar indiferentes aos problemas. É preciso agir! E isso que a Junta de Missões Nacionais tem honrosamente feito.
Lancem quantas críticas tiverem que lançar contra as Organizações Protestantes, mas enquanto não formos capazes abdicar de abdicarmos de nosso “mundinho perfeito” em favor daqueles que precisam, não seremos dignos de banalizar a fé daqueles que acreditam em um Deus que é capaz de transformar vidas.

E só para que não esqueçam... Há sempre um jeitinho de ajudar alguém! Você só precisa descobrir um, e dar o primeiro passo. Já pensou em revirar teu guarda-roupa e doar aquelas peças que não cabem mais em você? Experimente! Isso vai te fazer muito bem... Pode acreditar!

terça-feira, junho 10, 2008

Um grito de Consciência

Estava aqui no escritório, trabalhando sobre uma mesa repleta de papéis - como já é de praxe - quando um certo burburinho entre as colegas me chamou bastante atenção. Falavam sobre a terrível experiência de sofrer um assalto.
Confesso que por um momento pensei que ouviria mais um daqueles “clamores incontidos”, que em regra são viabilizados por um discurso vazio de humanidade mas sempre rico em revolta, desejo de vingança e coisas do tipo. Contudo, o que de fato me chamou a atenção nesta conversa, foi a capacidade que as interlocutoras demonstraram, de enxergar o mundo com um olhar de isenção, muito diferente daquele que as circunstancias, os meios de comunicação ou até mesmo a nossa própria natureza nos leva a lançar sobre o problema da violência.
É sabido de todos que a Imprensa com seu sensacionalismo barato e insistente, diariamente nos exibe a figura do excluído social como uma ameaça que compromete a "paz e a bonança" de uma classe média espremida, e que vez por outra tem sido vitimada com os “delinqüentes de chinelo” que assaltam seus edifícios, sitiam suas cidades e ainda mergulham seus "filhinhos inocentes" no mundo das drogas, sempre ignorando a real atuação daqueles que de fato ditam as regras no mundo do crime: os traficantes de alta patente e os “ladrões de colarinho”.
Mas a largo do típico discurso de "Criminologia de botequim”, hoje ouvi alguém dizer algo mais sobre o que significa estar cara a cara com a criminalidade, algo do tipo: "Como não sentir-se impotente diante de um adolescente que em menos de 1 minuto executa um assalto, como se profissional fosse e com uma frieza que não condiz com a pouca idade que possui? E como não sentir-se o mais fraco dos homens em saber que qualquer reação pode significar a própria sentença? Mais ainda, como não pensar que existe um ser humano de fato, atrás da armadura com a qual aquele jovem se reveste? E como não deduzir que por detrás daquele delinqüente existiu um passado obscuro, uma infância roubada. E se além disso pudéssemos voltar no tempo e rever as imagens que foram cravadas na memória daquele menino que dentro da própria casa assistiu as cenas de estupro da sua mãe, os sucessivos espancamentos que se ritualizaram, os barulhos dos tiros que furavam paredes e corpos, e todo um cenário sombrio que contrastava com os dias sem comida, os anos sem escola... em fim, com o retrato vivo de toda uma vida que nenhum de nós é capaz de entender em sua complexidade? É claro que não preciso derramar lágrimas pelos nossos “ditos algozes”, mas não dar pra não notar que a realidade é podre e inquietante...”
De fato, ela é tão inquietante, que não pude resistir à manifestação desta nobre consciência cujo grito, embora silencioso, me permitiu refletir sobre muitas coisas que vão além da resma de papéis sobre a qual estou debruçada. Por isto, faço questão de deixar para vocês o trecho deste brilhante desabafo, e propor que se permitam pensar além das entrelinhas da velha mediocridade humana.
É isso.
Pensem,
Reflitam...
Isso vai lhes fazer bem.

sábado, setembro 15, 2007

Mudam-se as leis mas não muda-se a realidade.

Ontem ouvi uma frase que me impactou bastante: "A doença do Brasil é SOCIAL e não jurídica". Não se trata de algo inimaginável ou sobrenatural - até mesmo por que todo mundo sabe disso -, mas da simples constatação de que os problemas precisam ser pensados de acordo com a complexidade de suas causas e consequências.
O momento de tensão político-social que estamos vivendo hoje tem causado à população brasileira um desconforto como nunca visto. Diferentemente do tempo em que os graves acontecimentos, que geravam manchetes, para alguns pareciam distantes, hoje como se saltassem das páginas dos jornais, as catástrofes, chacinas e crises de toda sorte, já fazem parte da rotina do brasileiro que tem o desprazer de encarar todas as manhãs o medo de sair de casa, incrementado pelas assustadoras e revoltantes notícias que circulam pela imprensa falada, escrita e tele visada.
Ao lado das notas policiais recheadas de assassinatos, latrocínios e sequestros, temos também os índices cada vez mais alarmantes de analfabetismo, miséria e mortalidade infantil, sem falar nas páginas que descrevem a preocupante realidade política do nosso país, onde a política social cedeu espaço para a corrupção, o desvio de finalidades e o interesse individual.
Assim, depois da dolorosa experiência de pensar na própria desgraça, o brasileiro depois de perceber o mau uso que fez da única arma que tinha - o voto -, apela para a "justiça" como se fosse aquela sua última válvula de escape.
Ouve-se então os clamores!!! Os preocupados com a miséria e descontrole da natalidade, clamam logo pela legalização do Aborto; os insatisfeitos com a corrupção e o cerceamento da liberdade, pedem a liberação do uso da maconha, e os indignados com a violência, exigem de pronto a redução da maioridade penal. Incrível como a relação "causa-consequência" se aplica com facilidade a estes "ativistas sociais"!!
Seria realmente muito bom que esses "pequenos ajustes na nossa legislação" surtissem o efeito desejado, mas lamento informar-lhes que eles não passam de antídotos sociais cujos efeitos nem vale a pena por à prova.
É muita ingenuidade - ou desespero -de nossa parte acreditar que o tráfico de entorpecentes cessaria com liberação do uso de drogas, ou que pareceríamos modernos ao legalizarmos o assassinato de seres indefesos ou mesmo que conteríamos a violência colocando crianças atrás das grades.
Decisões de tamanha importância não podem ser encaradas como apenas um artigo a mais ou a menos em nossas leis. Os problemas sociais precisam ser encarados de frente, discutidos e amadurecidos com responsabilidade. O tráfico que sitiou a cidade do Rio de Janeiro e tem se espalhado por todo país, é o reflexo da omissão do Estado e da sociedade que vem pondo à margem parcela significativa de sua população que cansada de viver indignamente na espera de um amparo do Estado, resolveu se valer de suas próprias armas: as armas do crime. De igual modo, a criminalidade e violência que atinge o país nunca foi nem nunca será resolvida com a criação e ocupação de presídios; cadeia nunca ressocializou aqueles que sequer foram socializados. Colocaríamos mais gente lá pra que? Precisamos de escolas e não de presídios!!!
E quanto ao retrocesso social que o aborto representa... impossível não perceber o quão incompatível é este ato com a noção de modernidade. Enquanto a ciência avança a passos largos, criando toda sorte de medicamentos que previnem a gravidez - e que são em sua maioria distribuídos gratuitamente - nós colocamos em pauta a legalização do aborto...um tanto discrepante, não acham???
Mas enfim, estamos em um estágio de desespero tão grande que a razoabilidade está nos abandonando. Achamos normal "legalizar" tudo o que não presta! Falamos em Legalização sem ao menos conhecermos o teor de nossas leis. Pensamos em reduzir a menor idade penal mas não nos perguntamos se o Estatuto da Criança e do adolescente está sendo aplicado em sua integralidade. Invertemos os valores ao ponto de acharmos que basta o certo deixar de ser aplicado para legalizarmos o errado. Se continuarmos neste ritmo, daqui a um pouco estaremos legalizando o desvio de dinheiro público, o clientelismo nas repartições, a comercialização de produtos piratas... enfim, uma gama de práticas sociais que embora ilegais tornaram-se rotineiras.
Não quero aqui me apegar a conservadorismos, muito menos a uma leitura dogmática de nossa leis. Acredito sim, que as leis podem - e devem - ser reformadas sempre, mas não dá para tomarmos decisões que repercutem na vida de mais de 180 milhões de pessoas como quem decide entre usar um sapato branco ou rosa!! As decisões precisam ser tomadas com responsabilidade, e não é aplicando antídotos sociais que resolveremos o problema. Temos sim, que usar o nosso grito para clamarmos por justiça social, educação, saúde, cultura, para que um dia estejamos aptos a fazer escolhas dessa grandeza.
E o que eu espero dessa história toda, é que mesmo no meio de toda essa tensão social, Deus ilumine a "atordoada" mente de nossos legisladores, e lhes devolva sobriedade suficiente para que tomem as decisões mais adequadas às necessidades nossa população, afinal, é preciso muito mais do que leis para mudar a realidade...

terça-feira, julho 31, 2007

Será que podem nos chamar de "pensadores"??

As vezes paro e penso sobre a vontade que tenho de me envolver com o conhecimento. Mas quando falo em envolvimento, falo de paixão mesmo, de amor pelas letras, pelos livros, pelos textos... Um amor incondicional que se satisfaz apenas no saber e tão somente nele.
Num primeiro momento esse discursso pode parecer meio sem sentido, mas analisem comigo: é possível pensar que Immanuel Kant tornou-se o filósofo pai da Modernidade deixando seus livros empoeirar-se nas prateleiras duma biblioteca?? Ou talvez que Isaac Newton teorizou a lei da gravidade por que sua mamãezinha o acordou num belo dia e entregou-lhe um escrito sobre o assunto?? Certamente não foi bem assim que as coisas se processaram.
E é por este motivo que eu acredito no poder de transformar outorgado a estes homens. Tudo parece bem mais razoável pensado a partir deste ponto de vista. É como poder transformar essa semente de inquietação, dúvida e curiosidade que há dentro de nós em trilhas para o conhecimento. É saber fazer perguntas, é interessar-se pelo novo - e por que não pelo antigo? -, é decifrar os enigmas que a vida apresenta e saber fazer bom proveito de tudo isso.
Acredito sinceramente que podemos fazer mais do que apenas reproduzir os escritos que nos chegam às mãos. Somos inteligentes, somos capazes de ir mais fundo, de criticar, de discordar, de concordar... Enfim, de dar um basta neste mecanicismo tecnicista do saber para finalmente pensarmos com nossas próprias cabeças e tirarmos nossas próprias conclusões a cerca do universo ao nosso redor!
Confesso que já percebo desgastado este modelo de "educação depositária" que reina nas nossas escolas e universidades, onde o aluno se contenta em engolir o que lhe é "vomitado" diariamente por aquele professor que faz-se limitado e assim o faz com seus discípulos .
Mas ao mesmo tempo sou capaz de vislumbrar uma nova paixão a realizar-se em nossas vidas: A paixão por um saber sem razuras, sem vícios... um saber que nos levará à descoberta dos inventores, filósofos, intelectuais, matemáticos, escritores... Enfim, dos PENSADORES que acredito ainda existir dentro de nós, para que finalmente possamos fazer a diferença e desmentir com verdade a idéia de que o mundo já enterrou todos aqueles que um dia ousaram pensar...
Não sei se chamarei de certeza, otimismo ou intuição, mas se não for nenhum dos três, que pelo menos seja FÉ, assim eu terei a certeza de manter alimentada a esperança do vindouro renascimento de uma geração de "pensadores".

domingo, julho 01, 2007

Podemos "re-começar"??


Aqui estamos novamente depois de uma semana em "stand by"...


Confesso que durante essa semana me dediquei a pensar uma pouco mais do que de costume. Parei por um instante me questionando sobre meus sonhos, planos, prazeres, realizações e coisas do tipo, e por incrível que pareça, foi bem difícil entender o que de fato me motiva a ser quem sou, a pensar o que penso... enfim, o que me motiva acordar todos os dias e cumprir rigorosamente esta rotina que eu - ops! que NÓS insistimos em obedecer...
Me perdoem por favor a inclusão de vocês neste "balaio", mas tudo neste mundo está tão padronizado, que sou tentada a acreditar piamente que todos nós somos atores de um mesmo teatro: o teatro do mundo capitalista, individualista, materialista e tantos outros "istas" no qual encontramos a motivação para servirmos a um sistema que faz de nós operários desta grande fábrica da aparência, onde os jovens são conduzidos desde a tenra idade a dedicar-se aos estudos, a seguir uma carreira, a buscar por uma profissão, para enfim unir-se a alguém com as mesmas aspirações, "construir" sua "felicidade" com os tijolos que seu dinheiro puder comprar e criar filhos que seguirão os mesmos passos e darão continuidade a este círculo vicioso...
Tudo parece orquestradamente perfeito até que questionemos as bandeiras que então levantamos.
Estive pensando como o hábito, o comodismo e algumas doses de prazer são capazes de transformar o monstruoso em belo... Nós hoje somos capazes de passar mais de duas décadas de nossas vidas frequentando escolas, universidades, cursos e afins e não nos damos conta de que o fazemos tão somente para atender uma necessidade de uma sociedade que capitalista que exige "profissionais" "altamente capacitados" para mover o seu maquinário a troco de algumas moedas.
Ficaremos toda vida no engano acreditando sermos melhores ou mais poderosos por temos alguns aninhos a mais no currículo ou um curso de grande projeção social? Quão tolos são os que acreditam neste conto. É bom que acordem e percebam que todos os que fincam suas raízes nas benécies que o dinheiro pode comprar - seja elas bens, status, conforto ou afins - não passam de operários da indústria do capitalismo, onde direito à educação, saúde, moradia, transporte, atravessam os valores de dignidade humana e se apresentam como a garantia de que o mercado manterá seus "moinhos" a todo vapor, com profissionais capacitados, saudáveis, e o melhor: satisfeitos em fazer parte deste teatro que lhes permite atuar ora como operários, ora como consumidores e até mesmo como aquele tem sua força de trabalho explorada por 48 horas semanais a troco de alguns números atraentes na conta bancária e um fim de semana na praia que sem dúvida o fará acreditar que ele é mesmo muito feliz, e que a vida - pelo menos pra ele - é muito boa...
Se analisarmos com cuidado o nosso círculo social, veremos que são poucos os que não se encaixam nesta descrição, pois a maioria desta "minoria" é composta dos "loucos" que se recusam a servir a este mundo da descartabilidade e se dedicam a fazer apenas o que gostam, sem dar ouvidos à malignas profecias que a sociedade capitalista lança sobre eles. São os que buscam a felicidade plena, se enveredam para a arte quando é isso que lhes atrai, interrompem projetos quando não lhes dão mais prazer, não se moldam aos padrões que lhes impõem... enfim... valorizam princípios que fogem à mediocridade deste mundinho onde a marca do carro, os títulos curriculares e a conta bancária falam por si mesmos...
É lamentável se perceber inserido neste universo, mas ainda mais desesperador e se sentir mais um operário da fábrica do capitalismo... por isso deixo-lhes um convite: Que tal "fugirmos para outro lugar?" Quem sabe um lugar por onde nossos sonhos possam voar livremente, onde a motivação de nossos planos faça mais sentido e não mais precisemos ser escravos de padrões que ferem o nosso eu... Basta perguntarmos a nós mesmos o que nos move e se o que queremos mesmo é conduzir o barco por esse rumo. Com certeza algumas doses de perguntas nos levará ao encontro das respostas para que façamos valer a pena...


Podemos então recomeçar agora????

sábado, abril 28, 2007

E viva o mito da "Democracia racial"!

Já reparei que entre as mentiras que a há muito são destinadas a encobrir as mazelas sociais com as quais convivemos, uma - de características pontuais – há muito vem resistindo a abalos e contestações: o “Mito da Democracia Racial”.
Fundada na irrenunciável idéia de que o brasileiro é o povo mais feliz da terra e que o Brasil é o melhor lugar para se viver, grande parcela da sociedade brasileira tem insistentemente se recusado a reconhecer que o racismo, muito mais do que “sentimento negativo” ou uma “conduta reprovável” é um problema social de longa data, provocado por questões diversas que remontam ao nosso reconhecimento enquanto Estado Soberano, e cuja manifestação além de não respeitar fronteiras territoriais, podem trazer prejuízos irrecuperáveis à sociedade.
Acontece que apesar de confortável a conservação deste mito, é impossível fecharmos os olhos para o sem número de fatos históricos que explicam e ao mesmo tempo denunciam as motivações sociais econômicas e políticas que deram cabo à sociedade da exclusão então constituída.
Ñão quero aqui impor teorias, criar hipóteses ou coisa assim, mas se confrontarmos a compreensão do que traduz a idéia de ESTADO, - “comunidade de homens assentados sob um território, que dispõe de soberania e vincula todos a obedecerem a suas normas” - com a acepção sociológica descrita por Oppenhueirmer – “instituição social que um grupo vitorioso impôs a um grupo vencido, com o fim de organizar o domínio do primeiro sobre o segundo e resguardar-se contra rebeliões internas ou externas”, somos remetidos àquela idéia de disponibilidade de Direitos em prol do bem comum, mas ao msm tempo descobrimos a natureza "perniciosa" dos homens, revelando-nos como seres obstinados pelo poder e pelo domínio de fortes e fracos.
Estaríamos então, ante a confirmação ou negação da teoria do “Bom Selvagem” de Rosseau? Será o homem naturalmente bom ou a presença da sociedade realmente o corrompe?
Seguindo esta linha de pensamento, investigando as entrelinhas da nossa história e analisando o comportamento do homem enquanto ser social, encontraremos pontuais manifestações dos preconceitos que acompanham as sociedades. Já na Grécia clássica, antes da Era cristã, a escravidão era uma prática social comum, assim como em muitas outras civilizações do Oriente, e assim prosseguiu por todo o mundo ocidental. Mudavam-se os critérios, mas o processo de exploração de homens por homens manteve-se inabalável por mais de 20 séculos.
É exatamente a esta mudança de critérios que se associa o Racismo. Apontar no semelhante diferenças capazes de situá-lo em grupo social inferior, logo, estabelecendo uma desigualdade capaz de privar o outro de direitos e garantias ou mesmo oprimi-lo aos desmandos do grupo social “fisicamente superior”, por sutil que seja, é um processo tão ardiloso, que foi capaz de dividir a Raça Humana em pseudo-raças, estratificando o tecido social num grau quase que irreversível.
É o racismo a mesma “praga” que estratificou a sociedade indiana, que obstinou a sociedade espanhola do início do século XX na perseguição aos ciganos, que motivou a eclosão da 2ª Guerra Mundial e que dividiu a sociedade norte-americana em Pretos e Brancos. E no Brasil a segregação só não é mais evidente por que a sociedade insiste em vestir a “máscara da igualdade”, declarando respeitar o indivíduo independente da cor da pele apesar de emprestar um tratamento desigual a indivíduos de pele negra, evidente nas rotineiras práticas de pessoas que agarram com firmeza suas bolsas quando avistam homens negros, recusam-se a cumprimentá-los, emprestam um tratamento desigual mesmo para os consumidores, recusam-se a travar relações sociais com negros e negras, e ainda outro sem números de ações que só têm aprofundado esse abismo social que se coloca entre os homens. Aliando a isso as questões sócio-econômicas, desenhamos um cenário social onde até o ano 2004, o percentual de negros desempregados atingia a marca dos 22%, o número entre os analfabetos do país era de 80 % e em contra partida, os que ingressavam na Universidade compunham um irrizório número de 3,2%! Eis aí as entrelinhas da tão proclamada Democracia racial!
Entre os assustadores dados estatísticos e os deprimentes acontecimentos históricos, o fato é que o tortuoso caminho do racismo que temos trilhado tem garantido à nossa sociedade atrasos sociais que não condizem com os avanços obtidos pelas sociedades pó-modernas. Esse é um problema que não tem origem ou nacionalidade definida, portanto requer de nós a devida atenção e não raro, dos Estados a disposição para transformar. Somente o empenho conjunto – nos âmbitos nacional e internacional - para combater este problema e finalmente libertar a sociedade das causas que fazem dessa prática em pleno século XXI uma patologia social.
E volto a bater na mesma tecla: "é preciso antes de tudo mudar a si mesmo para poder mudar o meio"... Que tal começarmos agora???

quarta-feira, março 28, 2007

Em busca da "Terra do Nunca"!

Peço licença aos fiéis colaboradores do Reticências, mas por um motivo muito nobre não postarei um texto meu essa semana. Um amigo um tanto "incoveniente" (rsrsrs) me enviou um texto interessantíssimo que gostaria muito que vocês vissem. Leiam e comentem!
Ah! E pra quem assistiu o filme "À procura da felicidade", tem um toque muito interessante.
Espero que gostem e sintam-se à vontade pra enviar textos para os nossos e-mails.
Até a próxima!


Nossa! Como são belos os discursos que permeiam nossas vidas, como “liberdade”, “igualdade” e “felicidade”, pena que estes discursos sempre vêm envoltos numa névoa que para mim seria a “busca”, porque na “verdade” estes ideais não se concretizam nunca; estamos sempre em busca da liberdade , da igualdade material, e da felicidade. Minha pergunta é: será que o homem pode se saciar destes ideais, será que pode se sentir pleno deles, ou a busca dessas verdades, desses preceitos são apenas ilusões um tanto quanto maquiavélicas (com todo respeito a Maquiave!). Será que o que entendemos por liberdade é de fato alcançável, será que liberdade é liberdade de consumir, liberdade de sermos “nós mesmos”, de agirmos como quisermos, tudo isso sem imposição de nenhuma força exterior? Como é possível? Segundo Sartre o homem é livre para fazer o que quiser da sua vida, e por isso não se deve esperar nada dos homens, pois a natureza humana é em seu íntimo livre. Segundo Nietzsche a liberdade é algo de fantasioso, pois a sociedade nos poda as asas nos impedindo de sermos espíritos livres; somos apenas produto da linguagem social.
E se numa sociedade fictícia, liberdade é consumir o quanto quiser, transar com quem quiser, ser livre para roubar, matar, ser livre para colocar as crianças nas cadeias - ou quem sabe os pobres -, livres para “amaldiçoar” os excluídos, condená-los à completa desgraça irremediável... Será que um “descuidado” diria que esta é uma sociedade de loucos?
Mas a felicidade me lembra uma coisa fantástica... Vou contar uma história.
Imagine um homem negro, pobre que muda sua vida toda em busca de um sonho, que é se tornar um operador do capital financeiro e ser rico, para poder dar conforto e dignidade para sua família. Agora imagine isso num filme de Hollywood... Que coisa linda, não!? Imagine também dez milhões de desempregados e três milhões de excluídos, será que todos eles podem viver uma “procura da felicidade” nesses moldes (dinheiro, poder, consumo)? Não será esta a maior arma do capitalismo: mexer com nossos brios, mostrar que somos capazes, capazes de nos adequar ao sistema já estabelecido, fazendo dos jogadores de futebol, cantores pobres, um ou outro que consegue emergir da miséria para a tão sonhada “felicidade” (dinheiro, poder, consumo), um exemplo de vencedor? Parece até, quando não olhamos direito, que felicidade é algo que já nasce conosco, que somos capazes de encontrar a felicidade em qualquer coisa, lugar ou pessoa, seja se apaixonando por um mendigo, morando debaixo da ponte, passando fome... Será que felicidade existe, ou apenas temos momentos de alegria e escolhemos o que nos faz feliz interpretando os sinais de acordo com nossas experiências?
Ih! Já ia esquecendo da igualdade... É estranho pensar em igualdade numa sociedade que prima pela competição, calcada na meritocracia. Aprendemos que devemos ser os melhores, e não fazer o melhor que pudermos; parece bobo não é? Mas nesta selva de pedra, o que as pessoas são capazes de fazer para poder parecer os melhores? São capazes de tudo? Para ser mais bonito, mais rico, mais inteligente (nem sei o que é isso), sempre os números contam mais, estamos sempre em competição sem nem desejarmos... Pelo maior escore, pelo maior numero de pretendentes, pelo melhor carro, apartamento, celular, em competição para sermos aceitos, para que as pessoas nos entendam, para viver! Nem lembramos de observar os problemas do outro. Estes problemas só nos batem a face se aparecem no noticiário, se nos obrigam a ver mesmo que vejamos todos os dias nas sinaleiras debaixo das pontes, nos pontos de ônibus... Mas ainda assim... Não vemos! Será que somos cegos? Acho que escolhemos o caminho mais fácil, pois é mais fácil não ver! Como é possível se sentir igual a alguém se estamos sempre em competição? O que se faz é tentar compreender os problemas, e não mudar a situação, mas acho que compreensão não ajuda, o que transforma é a ação. Talvez se mudarmos o foco do que buscamos, se formos capazes de entender nossos verdadeiros desejos seremos capazes de nos mudar e depois mudar o meio. Enquanto vivermos na busca das verdades impostas pelos “deuses” do sistema, nunca seremos iguais, livres e felizes - se é que estas coisas existem. Seremos sempre o que esperam que sejamos: reprodutores de valores.
No entanto, acredito que devemos sim, pensar o valor desses valores! Mas isso é apenas a fantasiosa opinião de um louco que não consegue compreender as verdades e as certezas!

Nietzscheano inconveniente

quinta-feira, março 15, 2007

E se os "sobreviventes" dependessem de boas intenções??


Hoje, no final da tarde, aproximava-me do ponto de ônibus onde me sentei - disputando um espacinho com as pessoas que lá já estavam -, quando avistei duas mulheres negras de cor parda, visivelmente famintas, de pés descalços, roupas rasgadas, cabelos assanhados, e uma expressão que escondia visíveis marcas de sofrimento, com certeza agravadas pela dor de sobreviver numa selva onde figuram como vítimas sem nem saber porque... Naturalmente essas mulheres desconhecem os motivos reais das injustiças que desde sempre as acompanha. A elas nem mesmo é dada a oportunidade de saber que as entrelinhas de nossa história furtaram sua dignidade e constituíram um sistema opressor que hoje se combina com o capitalismo escravizante e com a omissão da sociedade. A dor que sentem é uma dor sentida por muitas, mas é uma dor que não pode ser compartida. É tão forte, que as incapacita de sentir a dor dos outros. Infelizmente certos fatos só nos alimenta a idéia de que nessa sub-vida que levam, atitudes que para nós parecem desumanas, não passa de um dos pouquíssimos meios dos quais dispõem para mudar a própria sorte ( leia-se: ter algo para vestir, por comida na mesa e ter um canto pra dormir com os filhos - coisas que para os que vivem abaixo da linha da pobreza, não deixam de ser um luxo). Mas neste cenário de evidente massacre social sem autor, o que me intrigou mesmo, foi o fato de essas mulheres trazerem em seus colos bebês com menos de 2 anos de vida; crianças subnutridas, atônitas a tudo, mas externando um choro desesperado... Eram eles os únicos capazes de provocar a comoção social de que elas necessitavam. Suas imagens (adultas) e seus discursos rotineiros já não mais garantiam-lhes um bom saldo no final do dia, sendo assim, pedir esmola com as crianças no colo fez tanto efeito que embora soe assustador, já se montou quase que uma "empreendimento". Tenho que confessar que fiquei chocada ao ouvi-las comentar algo do tipo: "tá ficando tarde... é bom a gente levar os filho da mulé antes que ela chie com a gente...". Não tive ação no momento. Já duvidei da maternidade de algumas, mas não imaginei que tudo já estivesse tão escancarado. Essas mulheres pegavam os filhos das outras para pedir esmola nas ruas, alegando serem pobres e mães de crianças subnutridas e passarem muita fome. Não que istofuja à realidade, mas... sem comentários, né! Parei pra pensar sobre o assunto, e confesso que tenho dúvidas sobre o quem é pior: as mulheres que expõem criaças indefesas - diga-se de passagem,os filhos de terceiras - a dias inteiros figurando como "veículos" para ilegalidade, ou NÓS que compomos a elite dominante sermos mesquinhos ao ponto de condenarmos essas mulheres à reprovação social? Talvez ainda não pareça tão alarmante, mas isso faz parte do processo de “subintegração do cidadão”, que sutilmente tem se agravado. A legitimidade da qual dispõe esta rejeição – que já atingiu o status de “Poder sobre os Corpos” – é cotidianamente reforçada pelos meios de comunicação. A mídia vende diariamente a figura da plebe rude, do indivíduo à margem da sociedade, sobre o qual lança um estereotipo que captado facilmente pela sociedade, acaba por impedir a concretização de uma real mobilidade - seja no aspecto social, econômico ou político - alimentando um sentimento de inferioridade capaz de produzir efeitos irreversíveis no caráter do indivíduo vítima da crueldade deste sistema. O interessante é que insistimos em dizer que entendemos o problema e queremos mudança. Claro, Mudanças! Já! Recorremos então às leis e aos fazedores das leis, mas quando ensaiamos passos lentos para a realização da tão necessária inclusão social, tem sempre uma parcela da sociedade pra boicotar o processo. As Ações Afirmativas voltadas às comunidades negras -prinipalmente o sistema de cotas - são um exemplo disto, pois são medidas de cunho compensatório, destinadas à superação de bloqueios sociais que recaem sobre indivíduos - alvos das mais diversas formas de preconceito – vítimas dos efeitos nefastos do histórico processo de exclusão social. Contudo, apesar do enorme ganho social possível de ser viabilizado por essas medidas – não desconsiderando o caráter emergencial das mesmas -, a elite dominante insiste em constituir argumentos que pormenorizem a importância e funcionalidade destas ações em face de uma igualdade constitucional que em verdade nunca se realizou. Adimito que não tinha a pretenção de questionar a questão das cotas étinico-raciais - pelo menos por enquanto, mas temos que reconhecer que as nossas classes dirigentes sabem tanto quanto os "incluídos" o que está ocorrendo, e continuam a fazer as mesmas coisas que historicamente vinham fazendo: explorando direta ou indiretamente as camadas menos favorecidas, e tentando justificar sua omissão com acusações pérfidas ou busca por soluções a longíssimo prazo que só servem pra posar pra foto: "apóio a causa social... mas ela que não pise no meu calo e atrapalhe meus planos!" . Eis aí o discursso da sociedade "comprometida"! Pois eu tenho uma certeza: entre boas intenções e boas ações, estou até agora tentando encontrar no convite que recebi para uma formatura de Medicina, um negro entre os 164 concluintes... comovente, não acham? Prometo que se achar algum, conto pra vocês na próxima postagem...

domingo, fevereiro 25, 2007

Mídia e Consumo: os encantadores de serpente

Estava observando como as propagandas de Tv têm um poder de convencimento voraz de tão sutil. Tenho a sensação que este processo de envolvimento do espectador faz parte de um "maligno" plano arquitetado para atrair como serpente os indivíduos que, carentes por alguns minutos de distração, se tornam presas fáceis dos grandes agentes midiáticos que, juntamente com empresas sedendas por lucros desenfreados, aprisiona o consumidor potencial, penetrando-o neste círculo vicioso de consumir, consumir, consumir... e consumir ainda mais!

Como não poderia deixar de ser, o trabalho é tão bem feito que é possível converter o indivíduo ao capitalismo de tal forma, que ele passa a ser mais um soldado deste exército da mediocridade.

Há um certo tempo temos percebido como os meios de comunicação tornaram-se o principal veículo de acesso das empresas ao consumidor. É nos canais da Mídia que essas grandes empresas exibem seus produtos e se estabelecem no cenário social apresentando sua marca e todos os “atributos” que fazem dela a melhor opção de escolha; tudo isso através de um cuidadoso processo de conquista que reiteradas vezes convida o consumidor a experimentar, inovar, enfim, ceder aos encantos do sedutor produto que a ele é apresentado.

A Mídia nas últimas décadas tem se revelado uma importante formadora de opinião, e não raro, a principal influenciadora da conduta do cidadão consumidor. Sem dúvidas, é com base nisso que nos últimos anos, as grandes empresas têm investido maciçamente em propaganda publicitária. É incrível como a publicidade se tornou um instrumento indispensável à competitividade na política de maximização de lucros e já desenvolveu as mais apuradas técnicas de convencimento do consumidor. Suas investidas são tão eficazes que se estima que em países como os EUA, o poder da indústria da propaganda é tão latente, que 1 em cada 6 dólares é gasto em Marketing.

É interessante notar como os meios e técnicas utilizadas estão cada vez mais avançados. A utilização dos meios de comunicação, que envolve jornais, revistas, impressos e, sobretudo a televisão, não mais se restringe às práticas “marketeiras” de ofertas de preços e condições de pagamento. Os publicitários do século XXI agora apelam para o que alguns estudiosos vêm chamando de “psicologia do marketing”, uma nova técnica utilizada para cativar clientes através da produção de uma nova verdade a cerca do consumo... Nada ingenuos, não é mesmo??

Que me desculpem os que advogam em favor a Mídia, mas continuo a insistir que tudo isso só pode fazer pare de um plano maligno!! As propagandas de hoje chegaram ao ponto de recorrer ao apelo emocional! Essa valorização da liberdade e elevação da auto-estima, revelam uma tentativa de defender o consumo como resposta aos dissabores da vida, como aquele que pode preencher o “doloroso vazio” que assola o homem, associando o ato de consumir a uma idéia de felicidade e bem-estar que desperta um incontrolável desejo de posse no consumidor potencial. Existe algo de "cristão" nessa atitude? Definitivamente, não.

Diariamente são inúmeras as tentativas de levar o indivíduo a consumir mais. As propagandas reiteradamente veiculadas na TV e no rádio, os inúmeros Outdoors espalhados pelas avenidas, cartazes e letreiros pendurados nos mais diversos pontos, panfletos distribuídos por toda cidade, e o mais intrigante: pessoas que mais parecem manequins ambulantes compondo uma dinâmica vitrine onde são exibidas as tendências da moda, apresentadas nos produtos das mais diversas marcas, que sugestivamente deixam a vista suas etiquetas imprimindo destaque e status ao ator social deste submundo da superfluidade.

Para piorar a situação, o consumidor que se vê massacrado pela publicidade em seu cotidiano, atira-se numa competição estatutária na tentativa de se enquadrar o máximo possível à sociedade ideal vendida pela publicidade e propaganda . E é aí que mora o perigo! Como nesse universo fantasioso o acesso às coisas é autorizado apenas com a intermediação do capital, um enorme contingente da população é excluído da real possibilidade de possuir a infinidade de produtos que diariamente são injetados neste impiedoso mercado e acaba se contentando com o “prazer” de admirar vitrines e fantasiar os inatingíveis sonhos de consumo. Isso quando não perseguem caminhos socialmente reprováveis para atingir seus objetivos...

É evidente que toda essa “saborosa ilusão”, criada pelo sistema e veiculada pela Mídia, contribui significativamente para a formação de uma sociedade que de tão contaminada pela idéia de sucesso alimentada pelo consumismo, torna-se apática e indiferente diante da brutal desigualdade que a assola. As crianças crescem cultivando o hábito de consumo, os jovens vislumbrados com a facilidade do dinheiro não encontram tempo para refletir sobre os impactos de sua ausência, e a sociedade restringe-se ao pequeno mundo ao seu redor. As crianças e os jovens são os alvos preferidos na criação de novas necessidades pela Mídia. Incapazes de entender o que é a TV e o que visa a propaganda, passam a querer tudo o que é apresentado, crescendo assim totalmente vulneráveis. É o que Konrad Lorenz em sua obra Civilização e Pecado, denomina de "neofilia", a afinidade irresistível para com tudo que aparece como novidade.

De fato, percebemos que a sociedade está doente, e todo um sistema encabeçado pela Mídia que manipula, converte e também corrompe, é legitimado pelo Estado que por vezes se esquiva da responsabilidade de intervir decisivamente nessas relações, traçando metas a serem atingidas e estabelecendo limites a serem obedecidos, a fim de que construamos uma sociedade capaz de pensar autonomamente, segundo suas próprias impressões, livre de modismos e da manipulação voraz deste sistema selvagem e altamente ambicioso. Mas se o Estado é omisso, também não pecisamos agir como marionetes desta indústria midiática. Somos seres pensantes, temos autonomia para dizer sim ou não!

Podemos escolher o que assistir, criticar o que não nos parece construtivo, deixar de comprar produtos de empresas cuja responsabilidade social é questionável... coisas assim.

Por favor, vamos reagir contra esse atentado à nossa liberdade de escolha, e contra o "bombardeio" diário ao qual está submetido o nosso intelecto! Seja pública ou privada, aberta ou fechada, já não está dando pra aguntar tanta "porcaria" em tempo real!

Então... que tal deixarmos a Tv de luto por uns dias? Contanto que não recorramos aos Shoppings Centers, qualquer coisa deve ser melhor do que assistir televisão aos domingos, não acham?


segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Indignação por tempo limitado??

De vez em quando a gente se pega pensando nos problemas dos outros...
É natural - diria até "inevitável" - que os sentimentos humanos, tão habituados a passear pela oscilante curva da incerteza, fiquem mais acesos quando as circunstâncias pedem "um minuto de silêncio".
Acho que isso aconteceu com algumas pessoas na semana passada. A terrível falta de humanidade demonstrada pelos assaltantes que mataram uma criança de 6 anos, no Rio de Janeiro, plantou no olhar de muitos um espanto que misturava medo, indignação e revolta. Foi como se retirassem debaixo de nossos pés o solo sob o qual nos apoiamos... Algo inacreditável.
Como não poderia deixar de ser, parece que nessas horas todas as vozes ecoam o mesmo coro. Nas ruas, na escola, no trabalho, nas capas de jornais e revistas, vemos, ouvimos e lemos a mesma coisa. De repente, um turbilhão de comentários, pseudo-protestos, "reportagens especiais", discursos indignados... Tudo conforme o figurino! Nos sentimos como quem "inaugura" uma Revolução! Seria assim, se toda essa indignação não fosse tão breve...
Vemos que os fatos vêm e vão, as barbáries acontecem diariamente, a cada minuto homens, mulheres e crianças morrem - sejam assassinados, nas filas de hospitais, em acidentes evitáveis ou por tantos outros motivos banais. Mas quem se importa com isso de verdade? Se até hoje, em pleno século XXI, ainda se morre de fome, o que mais falta acontecer? Morrerem mais de 4 milhões de pessoas numa guerra Civil por recursos naturais? Ou termos 1 milhão de pessoas desabrigadas por enchentes em algum lugar do mundo? De certo essas não seriam hipóteses adequadas, até mesmo porque, é lamentável constatar que há muito tempo esses horrores já deixaram de ser hipóteses. Por mais descabido que possa parecer, a guerra civil entre Congo e Burundi já vitimou este "discreto número" de SERES HUMANOS!! Mas alguém aí sabia disso? Temo que a maioria desconheça esses dados; mas estejam certos de que isso não é produto da minha imaginação. Estes são "apenas” fatos assombrosos que, como muitos outros, não recebem a atenção devida desse modelo de imprensa "hollywodiana" que se fez formadora de opinião da maioria esmagadora da população.
Talvez alguns mais atentos já tenham percebido como nossos meios de comunicação se voltam massivamente para aquelas 'notícias-espetáculo". Quando alguma coisa chocante acontece, eles se embrenham numa busca desenfreada por informações, batem e rebatem aquele tema que se propuseram a abordar, concentram toda uma população espectadora em volta do mesmo problema, até que esgotam todos os seus recursos e, como quem fecha um sepulcro, enterra aquele assunto - de tão batido - e só então resolvem tratar de todas aquelas outras coisas que cederam espaço para aquele tema de "grande relevância social"!! É por essas e outras que não existe "tempo" para tratar dos desabrigados da África, dos grupos nazistas que silenciosamente se desenvolvem no interior dos EUA, muito menos das mulheres negras que são diariamente espancadas no recôndito dos lares da brasileiros...
Talvez tratar exaustivamente sobre a voluptuosa “crise dos aeroportos” durante 4 semanas ininterruptas seja mesmo “vital”, afinal, o fato de 94% da população nunca ter sequer pisado em um aeroporto não deve fazer assim tanta diferença, não é mesmo? Provavelmente os milhares de “Marias” e “Josés” que diariamente são esmagados nos ônibus que lhes conduzem para o “serviço”, e que por vezes têm que “escalar” os morros que dão acesso as suas casas, não se importem tanto com isso... Mas quem se importa com eles?
De fato, é bem fácil nos fecharmos em nosso mundinho cor-de-rosa e só olharmos para estes pobres excluídos quando de alguma forma eles mancharem a nossa “perfeita realidade”. Mas até quando podemos esperar destes homens e mulheres tradicionalmente massacrados pelo sistema, uma “fidelidade canina” àquilo que lhes impomos? Teriam mesmo algo a perder se optassem por trilhar o caminho do crime para libertar-se da miséria e da opressão à qual foram submetidos durante séculos? Sinceramente... Não acredito.
Mas então o problema está em nossas leis?
Receio que não. Mesmo reconhecidas as suas limitações, não é só mexendo nas leis brasileiras que resolveremos o problema. Ou alguém aí acredita que aquele “garotinho de 16 anos”, que participou do crime supracitado, deixaria de fazê-lo caso fosse penalmente responsável?? Os outros maiores de idade não deixaram, por que então, logo ele esitaria? Não me parece razoável tal conclusão.
Tudo bem; entendo que para descarregar nossa consciência nós tentemos eventualmente aplicar antídotos aos problemas sociais; mas até quando? Vamos esperar que este “Grito dos Excluídos” ecoe ainda mais alto? É claro que não existe fórmula mágica para resolvermos problemas sociais, mas combatendo esta brutal exclusão nós evitamos que crimes banais se repitam. Falo de pequenas ações, coisas simples que podem fazer a diferença. Até entendo que o amor ao próximo há muito tempo já deixou de ser um sentimento cultivado pela maioria dos homens, mas demonstrar atenção e respeito já é um bom começo. Olharmos nos olhos e cumprimentarmos pessoas rotineiramente postas à margem da sociedade é uma tomada de atitude para que diminuamos esse abismo que se coloca entre os homens e que tem transformado seres iguais em “diferentes” e alimentado essa exclusão social que entre nós já é brutal.
E só pra lembrar: elevador de serviço não é aterro sanitário, é apenas um elevador que fica ao lado do social... Algum problema em subir por ele??????
É isso. Espero que venham as pequenas ações... E que lhes sucedam as grandes transformações! Ah! E tomara que o desfile das Escolas de Samba não transforme nossos noticiários na casa da “Penélope Charmosa”... pelo menos desta vez...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais???


Interessante como frequentemente os "atores sociais" se fazem produto do meio...
Às vezes paro pra pensar sobre o momento histórico em que nos encontramos com o mundo pela 1ª vez. Tento de alguma forma compreender os fatores que nos fazem ser quem somos, mas confesso que percebo uma certa instabilidade na sociedade que nos recebeu na década de 80. Essa juventude à qual me refiro, corresponde exatamente aos homens e mulheres que hoje são os responsáveis pela educação dos "modernos" jovens do século XXI. Carregavam consigo medos, anseios, temores e incertezas... Até concordo que eles já foram como nós... mas será mesmo que ainda vivemos como nossos pais?
É uma difícil tarefa decifrar uma juventude encontrada sob a tênue linha de conflito entre os grilhões e a "liberdade". Afinal, o que esperar de jovens educados pelos egressos da brutal repressão do regime militar - onde uma poesia, uma música, uma frase! poderia significar a própria sentença de morte - ? Gritos de revolta ou vozes sufocadas?
Seria então, a máxima "Sexo, drogas e Rock in Roll", um grito de liberdade ou uma intransigente insubmissão que evidenciava a imaturidade de uma parcela de jovens que incapazes de compreender as verdadeiras grades que os prendia, se insurgiam contra o mundo ao seu redor?
Tudo bem; não precisamos persseguir essas respostas. E não me surpreenderei se alguns até questionarem a funcionalidade das perguntas, mas acho importante - e até necessário - pensarmos sobre o assunto... Já perceberam a insolidez da educação dos jovens deste século? Em geral, aprendemos que as coisas são de um jeito, que devem ser assim e ponto, mas não temos o hábito de questionar o que nos impele a a fazer as coisas da forma como fazemos.
Felizmente alguns conseguem escapar deste círculo vicioso no qual passearam por toda a sua infância, contudo, o grande problema é quando essa "infância" nunca acaba e permanecemos defendendo os mesmos dogmas, cultivando os mesmos preconceitos e aceitando as mesmas mazelas sociais com as quais nos acostumamos a conviver.
É lamentável admitir que, com exceção de uma minoria, nossos lares têm sido pródigos em reproduzir uma educação que quando não se fecha no conservadorismo, oferta uma liberdade imatura que rotineiramente se converte numa "libertinagem" irresponsável - cujas consequências já são mais que conhecidas.
Mas sabem o que é mais preocupante nessa história? É que apesar de já sermos "jovens", nós AINDA NÃO APRENDEMOS A GRITAR! Aliás, nem mesmo nos ensinaram a fazer isso! Pelo menos conscientemente, ainda não. Enquanto nossos pais e avós foram obrigados a calar suas vozes, nós ainda nem aprendemos a usá-la...
É bem verdade que começo a ver soprar ares de mudança... sou levada a acreditar mais nos jovens de hoje. Parei pra perceber que a sociedade sempre espera um pouco mais de nós. Costumam lançar sobre nós suas expectativas de mudança. Chego até a ser pretensiosa em achar que "a esperança é a última que morre" por que o ser humano ainda acredita em Deus, em si mesmo... ou pelo menos em nós, seus semelhantes.
S. Paulo escrevendo uma de suas cartas, no início da era cristã, já dizia : "jovens, eu vos escrevo por que sois fortes!". Isso para mim é mais que uma prova de que esse sentimento nos acompanha a muito tempo.
É claro que não precisamos projetar nossas vidas de acordo com as expectativas dos outros, mas se pensarmos de forma menos individualista, veremos que fazer pelo outros é fazer muito mais por si mesmo.
Tomemos então a pílula da consciência! E que venha acompanhada por um incontido desejo de mudança e uma reavivada disposição pra fazermos a diferença... por menor que ela seja.